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Internetês é a nova linguagem da internet

Forma de comunicação surgiu com a necessidade de escrever mais rápido e de forma dinâmica

Atire a primeira pedra quem nunca utilizou abreviações de palavras ou emoticons em bate-papos pela internet. Essa forma de comunicação já é tão disseminada que até ganhou um nome próprio: internetês. Fato é que quando comparamos uma conversa utilizando essa linguagem com o Português formal, parece até outro idioma. Diante desse cenário, será que escrever desta forma afeta o aprendizado das regras ortográficas?

Para a linguista Camilla Duarte, o falante nativo de língua portuguesa está apto a saber a ortografia considerada correta dentro da convenção da escrita e também a utilizar a ortografia empregada no internetês. “Somos aptos a lidar com as diversas variações da língua. São mudanças que surgem para preencher algumas lacunas que os novos tempos impõem. O internetês apareceu porque temos menos tempo para nos relacionar com a escrita e a língua se adequa às necessidades dos falantes”, avalia.

O professor de língua portuguesa Sérgio Nogueira considera como lado positivo do internetês o incentivo à escrita, mesmo que em redes sociais. O problema em relação à língua padrão, esclarece, é a ortografia e a memória visual. “Por uma questão de agilidade, costuma-se não usar os sinais de acentuação e pontuação, isso faz com que a memória visual fique deturpada. Aprendemos vendo a imagem da palavra conforme a usamos”, explica. Assim, se não lemos livros, revistas e jornais, a memória visual pode ficar comprometida. Nogueira ressalta que o papel da escola é ensinar a língua padrão, sem ignorar o internetês, mas considerar que se trata de uma linguagem que parte da vontade do ser humano de comunicar o que pensa e sente.

Desenvolvimento da língua

Esse movimento é natural e faz parte do desenvolvimento de uma língua viva, que sofre influências e modificações com o passar do tempo. Na opinião da linguista, não existem motivos de preocupação de que o internetês possa prejudicar o uso da língua formal, já que existem diversas formas de se comunicar que coexistem. Por exemplo, quando conversamos com o gerente do banco não falamos da mesma maneira que quando estamos com os nossos pais.

“Todos os fenômenos da língua são naturais. O internetês foi criado dentro do contexto da era digital e a maioria de quem o usa tem o domínio da língua. Ninguém consegue burlar a convenção de escrita se não a conhece. Ou seja, apropria-se da convenção para usar o internetês”, explica Camilla. Hoje não temos o mesmo tempo que as pessoas tinham anos atrás para escrever cartas, existem necessidades que impactam diretamente na forma como nos comunicamos.

A linguista defende que com uma educação de qualidade, o internetês não vai impactar tanto porque o aluno vai aprender a usar a língua conforme a necessidade – levando em consideração a variação de formalidade e informalidade. “Na internet, é possível ser completamente informal, usar códigos e regras como quiser, mas é preciso saber a diferença. Quem vai mostrar isso é a escola, não como freio para as mudanças, mas como um balizador para dizer como, onde e com quem usar”, diz.

 

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