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Por que falar sobre solidariedade na educação é importante?

Ser solidário significa se abrir ao outro, escutá-lo e valorizá-lo

Quando pensamos sobre o conceito de solidariedade, frequentemente vem à mente a imagem de uma sociedade mais justa, onde todos, unidos, colaboram para o bem comum. De fato, ser solidário faz toda a diferença para a qualidade do mundo que habitamos e para que cada pessoa seja respeitada em seus direitos fundamentais. Contudo, para que as novas gerações internalizem esses conceitos, é preciso falar sobre esse assunto e o contextualizá-lo no nosso cotidiano. Especialmente na educação.

“Para ser solidário devemos sair de nós mesmos, ir ao encontro do outro, ou melhor ainda, colocar-nos no lugar do próximo para sentir o sofrimento dele e também sua alegria e suas vitórias”, diz o teólogo, escritor e professor universitário Leonardo Boff.

Origem

É importante lembrar que foi a solidariedade que permitiu aos nossos ancestrais antropoides (começo da hominização) dar o salto da animalidade para a humanidade. Boff conta que, quando iam em busca do alimento, não o comiam individualmente, como fazem geralmente os animais. Eles levavam a comida para o grupo e, então, serviam primeiramente para os membros jovens, depois para os idosos e, por fim, para os demais.

“Quer dizer, foi a solidariedade que nos fez humanos. O que foi verdadeiro ontem, continua valendo até os dias de hoje. Uma sociedade não subsiste sem um mínimo de solidariedade”, afirma o teólogo.

Diante das desgraças ecológicas, ou face ao sofrimento do próximo, por exemplo, somos levados a ajudar, a estender uma mão e colocarmo-nos no lugar do outro. “Sem essa solidariedade mínima, os grupos humanos perdem seu rosto humano e se barbarizam”, revela. Ou seja, se quisermos continuar como humanos, devemos alimentar e fortalecer entre todos a solidariedade. Caso contrário regrediremos à barbárie.

Na sala de aula

Agir com solidariedade é algo simples e pode ser colocado em prática em diversos momentos do cotidiano escolar. Quem ocupa os primeiros lugares nas provas, por exemplo, pode ajudar aqueles que não tiveram sucesso, os ajudando a compreender os problemas e não permitindo que se sintam humilhados. É possível, ainda, compartir materiais escolares, textos e livros com aqueles que não os têm e precisam deles.

Ser solidário é também incluir aqueles mais tímidos e que têm dificuldade de se enturmar. Convidá-los e levá-los a participar e elogiar o que conseguem fazer. Ser solidário não é um gesto que começa e acaba, acentua o teólogo, mas é “uma atitude permanente de se abrir ao outro, auxiliá-lo nas dificuldades, dispor-se a escutá-lo e a valorizá-lo”.

Solidariedade com todos

A solidariedade, atualmente, não se restringe apenas ao mundo humano, lembra Boff, afinal todos formamos uma grande comunidade da vida. Ele destaca que precisamos ser solidários, por exemplo, com os animais que sofrem, com as florestas que estão sendo derrubadas e com as águas que estão sendo contaminadas.

Com isso, o teólogo ressalta que existem laços de interdependência que se estabelecem nas nossas relações. É pela solidariedade que todos podem subsistir e continuar a existir. “Se uma sociedade se organizar ao redor da solidariedade haverá menos desigualdades sociais, todos se sentirão mais próximos uns dos outros e, por fim, companheiros e companheiras de caminhada por este mundo como irmãos e irmãs. Tudo seria mais leve, alegre e feliz”, finaliza o teólogo.

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