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Oceano Azul: como preparar os jovens para enfrentar o mercado de trabalho

Trabalhar a segurança emocional dos futuros profissionais pode ajudar a criar um ambiente corporativo mais saudável para todos.

Nos filmes “Procurando Nemo” e “Procurando Dory”, de forma divertida, um pouco do universo submarino nos é apresentado. Por exemplo, em todas as cenas em que os tubarões aparecem, o clima se torna hostil, inseguro e agressivo. Enquanto que entre as comunidades de peixes que coexistem pacificamente, a narrativa se desenrola de forma harmônica e cômica.

Em 2005, após 10 anos de pesquisa em 150 empresas, de 30 setores diferentes, a dupla Renee Mauborgne e W. Chan Kim lançaram o livro “A Estratégia do Oceano Azul: Como Criar Novos Mercados e Tornar a Concorrência Irrelevante”. Nesse livro um novo conceito de negócios é apresentado, sugerindo que, ao invés tentar superar a concorrência, um novo pensamento surja, como por exemplo, buscar mercados ainda não explorados.

Essa teoria é chamada dentro do universo dos negócios de “Blue Ocean”, sugerindo um oceano em que os peixes nadam livremente, diferentemente do “Red Ocean”, em que os tubarões derramam sangue em batalhas uns contra os outros.

São exemplos de grandes empresas que trouxeram ao mercado novos modelos de negócios, baseados nesse conceito e por isso se sobressaíram: Apple, Ikea, Cirque du Soleil, Uber e Alibaba.

Mas como isso pode funcionar na prática e como pode ser aplicado desde já para o desenvolvimento de crianças e adolescentes?

Mudanças

Uma proposta de nova visão de mercado é importante em um momento em que o mundo corporativo está se vendo obrigado a mudar, evoluir e se repensar. “A vida média de uma pessoa em uma empresa é de dois anos em uma posição, carreiras de 5 ou 8 anos já não existem mais. Essa nova geração está buscando experiências diferentes e as empresas vão ter que se adaptar a eles”, conta Reinaldo Serafim, gerente comercial de Seguros da Volvo Finance Service.

É possível perceber que esse comportamento é reflexo de uma sociedade que está mudando muito e rápido, e os resultados aparecem, principalmente, nos jovens que já começam a atuar no futuro. “Me parece que a busca do “sentido”, especialmente no que se faz, é algo que a nova geração está buscando. Não apenas o fazer por fazer para ter cada vez mais. Mas o fazer com prazer algo que faça diferença do mundo, seja no seu entorno, no seu bairro, na sua cidade, no seu país. O mercado está saturado de ideias do ganha/perde (eu ganho, você perde) e essa nova geração está mais voltada para o ganha/ganha (eu ganho, você ganha), diz a Life Coach, Tatiana Girardi.

Mas nem tudo são flores nesse processo. Reinaldo, que já reconhece na prática essas diferenças, comenta sobre a dificuldade de lidar com a falta de visão dos jovens que estão entrando no mercado, que apesar de muito bem preparados em nível de conhecimento, não conseguem se adaptar às exigências e necessidades das corporações. “Se ele for um profissional com técnica, consegue entrar em uma empresa, mas não progride porque não sabe viver em um ambiente agressivo, com orçamento limitado e objetivos a serem cumpridos em um tempo curto. E eles precisam estar prontos para isso”, complementa Tatiana .

Novos Cenários: conciliar as mudanças comportamentais e os aprendizados necessários
Quando falávamos do conceito Blue Ocean no começo desse texto, apresentamos um exemplo de uma proposta que incentiva a inovação e a criatividade em quem quer empreender, fatores muitas vezes deixados de lado na hora de trabalhar as crianças e adolescentes para o “mundo real”. Mas em uma nova realidade que está sendo moldada através, principalmente da tecnologia e dos comportamentos advindos das redes sociais e internet, fica evidente que novas formas de educar são necessárias.

“Os pais precisam começar a entender que, muitas vezes, a escolha dos seus filhos não será pautada na carreira que “dará dinheiro”, pois isso será consequência de um trabalho feito com prazer, dedicação e sentido. A criatividade está muito ligada à curiosidade, então ser curioso e utilizar isso para conhecer, fará com que o repertório de conhecimento aumente, o que propicia encontrar soluções mais facilmente e inovar”, diz a Life Coach.

A preocupação atual é como chegar a uma solução viável se as crianças e adolescentes começarem a receber outros estímulos em sua educação, mas a mentalidade vigente dentro das empresas não for modificada.

“Os gerentes agora precisam ser coaching, porque veja: você tem uma classe alta que prepara os filhos com bastante conhecimento, intercâmbio, MBA. Em uma seleção, dois ou três serão escolhidos, os mais bem preparados, logicamente. Mas esses jovens não sofreram, tiveram uma vida confortável, não batalharam para conseguir o que possuem na maioria das vezes, o que leva a uma intolerância ao insucesso. E então, o gerente precisa atuar, expondo esse profissional a situações que ele não passou antes para aprender. O papel do novo gestor, portanto é fazer esse coaching”, explica o gerente comercial, Reinaldo, que já consegue visualizar o futuro através de sua experiência.

Tatiana ainda afirma: “acredito e espero que os profissionais da nova geração venham com mais visão de sentido, mais SER e menos TER. Acredito piamente que quando SOMOS, o ter será consequência, mas não o foco. Profissionais com mais sentido de SER, deixam as empresas mais humanizadas e quem ganha com isso é o mundo que certamente será muito melhor”. 

Como preparar seu filho para o mercado de trabalho do futuro
Para os pais que leem esse texto e se questionam sobre o que podem fazer para começar a trabalhar em casa, em conjunto com a escola, esse preparo para um novo mercado que se molda, tanto a coaching Tatiana, quanto o gerente comercial Reinaldo, dão suas sugestões:

“Em primeiro lugar permitindo que a criança tenha em casa um ambiente seguro, não somente segurança física, mas especialmente segurança emocional, que a criança possa manifestar os seus sentimentos, seja o que a incomodou ou a deixou feliz na escola ou qualquer outra coisa. Crianças que crescem em um ambiente no qual é essencialmente ouvido e respeitado têm mais chances de ter uma autoestima forte para viver a vida como ela é. Outro ponto muito importante é que a criatividade necessita de estímulo. Quanto mais a criança, o adolescente e o adulto conhecer e experienciar, mais criativo será, esclarece Tatiana Girardi, Life Cocar 

“O pai precisa mostrar a importância da escola, participar e estimular. Em casa eu faço educação financeira, dando mesada e limite de roupa, por exemplo, para meus filhos. Eles precisam doar ou vender de tempo em tempo, para sentir o excesso que possuem e aprender o valor das coisas. Além disso, acompanho as notas e priorizo muito meu tempo com eles, conseguindo escutar o que eles falam, notar possíveis desvios e ainda, puxar o que for necessário, porque muitas vezes eles não se abrem”, compartilha Reinaldo Serafim, gerente comercial de Seguros da Volvo Finance Service.  

 

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