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Uma nova forma de aprender

Na sala de aula invertida os alunos estudam o conteúdo previamente e levam o conhecimento para a escola, o que aumenta o senso de autonomia e responsabilidade dos jovens

Já pensou em estudar o conteúdo em casa e ir para a escola para debater e compartilhar conhecimento? Essa é a proposta da sala de aula invertida, ou flipped classroom, onde a lógica de organização da aula é literalmente ao contrário. Considerada uma grande inovação no processo de aprendizagem, a ideia é que o aluno absorva o conteúdo previamente e ao chegar na sala presencial ele já tenha se aprofundado no assunto a ser desenvolvido.

O propósito da metodologia é liberar o tempo de sala de aula para momentos práticos, nos quais o professor atua como um orientador dos estudantes, atendendo às necessidades individuais e coletivas. “A sua essência propõe a integração de tecnologias no processo de ensino e aprendizagem para transformar o formato da aula tradicional em um espaço dialógico de produção de conhecimentos, no qual o professor tem sua prática docente modificada e o estudante passa a ter um papel mais ativo na sua própria aprendizagem”, explica Caroline Serqueira, gerente de tecnologia do Grupo Marista.

O período fora de sala de aula é aproveitado para que o estudante tenha acesso às informações por meio de vídeos e outros materiais selecionados pelos professores, invertendo a dinâmica do processo educacional. Nessa abordagem, diz Caroline, o estudante é convidado a utilizar esse período com atividades que o façam ter contato com o conteúdo conceitual, liberando tempo para que os momentos presenciais se tornem mais participativos e focados em situações práticas. “Assim o professor passa a ser um orientador, um mediador do processo de aprendizagem, ao realizar intervenções, dar feedbacks individuais ou coletivos e problematizar situações concretas, contribuindo com o desenvolvimento da sua autonomia e confiança”, ressalta.

Com a sala de aula invertida, os alunos encaram uma verdadeira mudança de cultura no jeito de ter aulas. Caroline observa que a partir do uso da metodologia, os estudantes passam a ser mais ativos e participativos no processo de ensino-aprendizagem, passam a compartilhar informações, análises, estudos e pesquisas, abrindo espaço para decisões individuais ou coletivas, com a finalidade de encontrar soluções para um ou mais problemas.

Na prática

“É uma atividade de expansão, que permite a cada um expor o que aprendeu e potencializar o aprendizado da turma”, explica a professora Marcia Regina de Oliveira, que está aplicando o conceito em aulas de História para turmas de 6⁰ ano e Sociologia no Ensino Médio do Colégio Marista Santa Maria, em Curitiba.

Marcia diz que, como há uma maior atuação dos alunos, a tendência é que haja mais interesse pelo conteúdo. “Percebo o aumento do rendimento e participação dos estudantes, que já chegam com o conhecimento assimilado. O bacana é a troca de ideias que esse formato proporciona”, constata. Um dos grandes benefícios, diz a professora, é prover aulas mais produtivas, capazes de engajar os estudantes e melhor utilizar o tempo e o conhecimento do professor. Assim, a interação professor-aluno flui de forma espontânea e permite uma ampla abrangência do que foi estudado por meio de debates e troca de ideias, e os momentos para sanar dúvidas e construir atividades em grupo se tornam mais ricos.

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