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Como a dança pode ajudar no desenvolvimento infantil?

Benefícios incluem melhora das relações sociais, criatividade e fortalecimento da autoestima

Basta tocar uma música que as crianças já começam a se mexer, soltando o corpo em movimentos despretensiosos. O ato de dançar é natural na infância e movimentar-se, simplesmente, pode gerar muitos benefícios para o desenvolvimento, tanto física quanto psicologicamente. Entre os benefícios gerados pela dança estão a melhora das relações sociais, a criatividade e o fortalecimento da autoestima. Como em toda a atividade física, o cérebro libera serotonina, substância que traz a sensação de alívio, melhorando aspectos como o humor e o sono, além de auxiliar na perda de peso, no equilíbrio e no aperfeiçoamento da resistência física. A dança é para todos e para qualquer idade, não é necessário seguir uma coreografia ou tampouco ter vergonha. Ao deixar o corpo se mover de forma livre e espontânea já é possível sentir os benefícios.

Muitas formas de dançar

A pesquisadora em dança Renata Roel destaca que o exercício está na tentativa de superar o desejo de querer que o aluno “faça isso” ou “perceba aquilo” de modo unilateral, uma vez que existem modos distintos e variados de fazer dança. “Praticar o ensino da dança atento às singularidades dos corpos é um dos caminhos possíveis do ensino-aprendizagem”, afirma.
No contexto da educação básica, o ensino da dança pode elaborar outros mundos sensíveis, sustenta Renata, “para além daqueles pautados em lógicas padronizadoras e homogeneizantes impregnadas no imaginário do senso comum acerca do que se compreende por dança”. A pesquisadora reitera que, neste sentido, uma aula de dança pode ser considerada como um processo de criação aberto às variações e oscilações circunstanciais e não como uma substância rígida e acabada.

Criatividade na escola

O contato com a dança na escola está atrelado a processos de criação, transformação e construção de vínculos. Neste sentido, a sala de aula pode ser considerada, de acordo com a pesquisadora Isabel Marques, como uma rede de relações que exerce as diversas possibilidades de diálogo do corpo com o mundo. Já a pesquisadora Gladis Tridapalli diz que aprender dança como criação compartilhada colabora para produzir modos singulares de dançar e desloca posições arraigadas entre professor e aluno.

Ensinar, destaca Renata, não é apenas transferir saberes que consideram somente as habilidades do professor. Também pode ser encarado como um processo de experimentação e criação a partir das probabilidades emergentes do contexto.

“Uma aula de dança que privilegia a diferença entre os corpos, a potencialidade e a singularidade de cada sujeito proporciona, a partir da heterogeneidade dos corpos, experiências de deslocamentos de perspectivas, novos caminhos e novas possibilidades”, avalia. Nesta perspectiva, é possível pensar que invenções em arte implicam em reinvenções na existência e nos modos relacionais.

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