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Como aplicar os conceitos da Pedagogia da Escuta

Ouvir com sensibilidade e sinceridade pode melhorar interação e comunicação com as crianças

As crianças se comunicam de diversas formas. Mesmo antes de aprenderem a falar, se expressam pela linguagem não verbal, que inclui os gestos, a dança e o desenho, entre tantas outras maneiras de se manifestar. Ao se comunicar com elas, cabe aos adultos estarem abertos a uma escuta de qualidade, dando relevância a o que os elas querem transmitir dentro do repertório comunicativo próprio de cada fase.

“É uma proposta baseada, essencialmente, na construção de uma conexão compassiva de uma pessoa com a outra, em que se devolve o poder de decisão às crianças em vez de apenas desejar que elas sejam obedientes aos adultos que as cercam”, explica Priscila Ximenes, professora do curso de Pedagogia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).

A Pedagogia da Escuta, criada por Loris Malaguzzi, na Itália, após o fim da Segunda Guerra Mundial, considera a criança como um ser social, que nasce de uma determinada forma e se transforma a partir da relação com o outro. Mesmo tendo surgido como uma proposta para ser aplicada academicamente, seus conceitos podem ser aproveitados em outras esferas da sociedade.

A interação com os filhos, por exemplo, pode melhorar muito seguindo alguns conselhos baseados nesta linha pedagógica. Um deles é criar um espaço de diálogo em que existe empatia e consideração real pelo o que é dito. “É importante ouvir com sinceridade e sensibilidade e dialogar com compreensão. Isso não significa que o adulto perderá sua autoridade diante da criança, pelo contrário, irá assumi-la com a responsabilidade de quem entende que cada criança tem seu próprio jeito de ver o mundo”, afirma a professora.

Essa conexão gera muitos benefícios não somente na infância, mas também para o adulto, que tem a possibilidade de se reconectar com um mundo pelo qual passou, salienta Priscila, mas que geralmente não lembra da lógica de funcionamento. Para a criança, ser ouvida de fato significa ter a sua forma própria de linguagem considerada, em que a relação se dirige da criança para o adulto, e não o inverso.

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