Em meio às vozes que ecoam nos corredores da escola, mora um dos gestos mais humanos que podemos cultivar: o ato de escutar. Escutar de verdade.
Ouvir o que a criança diz, mas também o que ela sente, o que expressa com o olhar, com o corpo, com o jeito de ocupar o mundo.
Na educação marista, a escuta sensível e ativa é compreendida como parte fundamental da formação humana. Ela vai além de uma postura pedagógica: é uma atitude ética, que reconhece o outro como sujeito de direitos, de saberes e de experiências.
Afinal, escutar é reconhecer a existência e a dignidade do outro. Por isso, vamos falar um pouco sobre como esse ato pode impactar positivamente o aprendizado das crianças e jovens dentro e fora do ambiente escolar. Boa leitura!
Escutar é reconhecer o direito das crianças
A escuta ativa é um direito de todas as crianças e uma responsabilidade compartilhada entre família, escola, comunidade e território, formando uma rede que garante que cada voz seja ouvida e respeitada.
No cotidiano da escola, cada momento é uma oportunidade de escuta. Quando um educador se dispõe a ouvir com atenção genuína, ele abre espaço para que a criança se sinta segura para expressar o que pensa e o que sente.
Essa atitude está profundamente ligada aos direitos de liberdade, respeito e dignidade garantidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ouvir é também permitir que cada estudante tenha voz, participe das decisões e seja protagonista de sua própria trajetória.
A escuta ativa transforma o ambiente educativo, auxiliando no desenvolvimento de relações mais saudáveis. Quando o estudante percebe que sua fala faz sentido, ele aprende sobre empatia, na prática, e entende que escutar o outro é uma forma de cuidar e de construir vínculos verdadeiros.
A escuta ativa nas pedagogias participativas

As pedagogias caracterizam-se por incentivar os estudantes a serem protagonistas, envolvidos na exploração de conceitos, resolução de problemas e tomada de decisões sobre seu aprendizado. Essas pedagogias valorizam o diálogo, a colaboração e o respeito à diversidade, criando ambientes inclusivos onde todas as vozes são ouvidas.
Nessa visão, a escuta é o ponto de partida para planejar, observar e compreender o que acontece no processo de aprendizagem.
Escutar é pesquisar: é observar com respeito o que as crianças mostram em suas falas, gestos e ações, percebendo o que desperta curiosidade, provoca encantamento ou causa dúvida — sempre atento à diversidade de contextos, culturas, realidades sociais e às singularidades de cada estudante.
Ao adotar essa postura, o educador se aproxima mais dos estudantes e cria experiências de aprendizado que fazem sentido para eles. Assim, a escola se torna um espaço onde todos aprendem com todos.
Além disso, a escuta ativa por parte dos educadores contribui diretamente para o desenvolvimento da competência geral de Comunicação da BNCC e para as dimensões presentes na Matriz Curricular para a Aprendizagem Socioemocional do Marista Brasil, fortalecendo habilidades como expressão, escuta empática, diálogo e convivência.
Escuta Marista
Nos Colégios Maristas, diversas ações facilitam a escuta ativa e aproximam estudantes e educadores.
As Campanhas +Cuidado e Proteção — como Conexão Segura, Enfrentamento ao Bullying, Cuidado em Saúde Mental e Consciência Negra — promovem diálogo, participação e espaços qualificados de fala.
Além disso, a Matriz Curricular para a Aprendizagem Socioemocional orienta práticas pedagógicas voltadas ao desenvolvimento de autonomia, autoconsciência, empatia e convivência ética.
E a Pastoral Juvenil Marista também contribui nesse processo. Nela, a educação na fé acontece de forma dinâmica e integral, favorecendo o amadurecimento pessoal e espiritual de adolescentes e jovens.
Tudo isso é construído a partir da escuta, do diálogo e de experiências de convivência que valorizam cada indivíduo.
Estratégias que fortalecem a escuta
A escuta ativa não acontece sozinha. Ela se constrói a partir de pequenas atitudes diárias que tornam o ambiente mais acolhedor. Confira:
Rodas de conversa: momentos em que todos podem se expressar com liberdade, aprendendo a ouvir e a respeitar opiniões diferentes.
Documentação pedagógica: registros que valorizam as produções das crianças e reconhecem seus processos de descoberta.
Planejamentos abertos: espaços que permitem incluir as ideias e os interesses dos estudantes nas atividades.
Escuta dos silêncios: entender que nem tudo é dito em palavras. O silêncio também comunica e merece atenção.
Essas práticas, além de criarem uma cultura de respeito e corresponsabilidade, também influenciam decisões curriculares, políticas de inclusão e planejamentos pedagógicos estruturados e individualizados, fortalecendo a convivência e construindo uma comunidade escolar mais sensível, justa e empática.
Escutar é um ato de esperança
Em um mundo apressado, cheio de ruídos e distrações, escutar se tornou um gesto de resistência. É desacelerar para estar com o outro, abrir espaço para o que é único em cada pessoa e acreditar que toda voz tem algo importante a dizer.
Quando a escola assume a escuta como princípio, ela se torna mais humana.
E é nessa humanidade que nascem os aprendizados mais profundos, aqueles que formam não apenas mentes curiosas, mas corações empáticos, conscientes de seus direitos e de sua capacidade de transformar o mundo.
Por isso, é tão importante que os valores sejam enriquecidos dentro e fora de casa, para serem traduzidos em postura e propósito de vida.
Conheça as práticas de escuta da educação Marista
Nós acreditamos que a escuta é o ponto de partida para toda transformação. Aqui, as vozes de crianças e jovens inspiram caminhos, fortalecem vínculos e constroem uma educação significativa e participativa.
Descubra como nossas práticas de escuta e empatia contribuem para uma formação integral, que respeita as singularidades e reconhece cada sujeito como protagonista do seu próprio aprendizado.
Visite a unidade mais próxima dos Colégios Maristas e conheça de perto um projeto que une valores, tradição e propósito em um só lugar. Além disso, acompanhe nossas redes sociais para saber tudo aquilo que pensamos para nossos estudantes.




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