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Tecnologia na educação: desafios e benefícios

Com equilíbrio e bom senso, recursos digitais podem auxiliar no desenvolvimento das crianças

Diante da variedade e abundância de dispositivos tecnológicos a que temos acesso hoje em dia, é desafiador dosar o tempo de uso. Porém, quando falamos em crianças, é preciso encontrar um equilíbrio, restringindo o uso das telas para um tempo adequado. Afinal, se envolver em outras atividades, como brincar ao ar livre, pintar e andar de bicicleta, por exemplo, são muito importantes para o desenvolvimento saudável das crianças.

Mães e pais sabem que é difícil evitar que as crianças utilizem celulares e tablets, mas é possível orientá-las para o uso equilibrado. Empregada da forma correta, a tecnologia pode ser uma ferramenta positiva, que traz inúmeros benefícios para o desenvolvimento, como criatividade e interesse por novos conhecimentos. Neste contexto, o dever dos pais é aguardar a idade apropriada para o uso das telas, orienta a psicóloga Rima Awada Zahra, controlando os excessos e orientando sobre conteúdos impróprios. “Tecnologia não é uma coisa só, mas são várias coisas, boas e ruins”, analisa a psicóloga, que é co-autora da Coleção Crianças na Rede, uma série de livros que aborda os desafios do universo digital por meio de histórias que ajudam a pensar e agir num mundo cada vez mais conectado.

Uso consciente

Mesmo que a utilização de meios digitais na educação traga benefícios para os estudantes, é preciso estar atento à recomendação sobre a idade adequada para acesso a telas. A Sociedade Brasileira de Pediatra (SBP) aconselha que crianças com menos de dois anos não devem ser expostas a telas digitais. Em abril deste ano, a Organização Mundial da Saúde, informou que aproximadamente 6% da população mundial com menos de cinco anos apresenta sobrepeso. Por isso, a recomendação é priorizar a prática de atividades físicas, substituindo o tempo do uso de televisão, celulares e tablets.

Benefícios da tecnologia na Educação

Para o uso adequado da tecnologia, é preciso orientação e principalmente, acompanhamento dos adultos. Na escola, o uso de tecnologia é um meio que pode contribuir e enriquecer as situações de aprendizagem. Os mapas interativos, por exemplo, possibilitam que os estudantes ultrapassem as barreiras geográficas e conheçam com mais detalhes outras regiões do mundo por meio de imagens de alta resolução, vídeos, áudios e até mesmo a realidade imersiva. Estes elementos tem o potencial de transformar aquelas informações, que antes eram abstratas, em conhecimento mais concreto.

A realização de avaliações e interações on-line disponibilizam em tempo real informações sobre o desempenho dos estudantes, oferecendo condições para que os professores façam uma mediação de forma mais ágil e personalizada. Jogos interativos que estimulam a criatividade e até mesmo a imersão em outros idiomas são práticas que, sem a tecnologia, seria difícil de acontecer. “A criança encontra no mundo virtual um espaço para criar e não apenas aprender”, ressalta a psicóloga, dizendo que a contribuição para o desenvolvimento vem do tipo de conteúdo acessado e do acompanhamento que se tem dele.

Outro exemplo positivo é o uso de telas como fonte de pesquisas sobre assuntos relacionados ao que está sendo trabalhado na escola. Rima acredita que, com bom senso e monitoramento, é possível conciliar um uso inteligente e equilibrado de recursos digitais com outras atividades, como brincadeiras ao ar livre, leituras e passeios. Assim, esses instrumentos podem servir como ferramentas de apoio da aprendizagem. O que está em questão é o desafio que os pais têm de educar a criança para o autocontrole, por meio do diálogo e exemplo.

Tecnologia na infância: qual é o limite?

O cuidado com o excesso de tempo em frente às telas e o seu uso inadequado é essencial para que esses recursos sejam positivos para o desenvolvimento das crianças. O contato com a tecnologia, explica Rima, muitas vezes introduzida de maneira precipitada, pode saturar o córtex cerebral, estimulando uma mente impaciente, agitada e com baixo nível de tolerância.

“O excesso de estímulo também atinge a emoção, prejudicando a capacidade de sentir prazer pelas pequenas coisas do dia a dia, na introspecção e na reflexão” esclarece a psicóloga.

As informações oferecidas pelo universo digital envolvem e prendem a atenção das crianças. E são justamente esses aspectos que podem ser trabalhados de forma equilibrada, que a partir do acompanhamento dos adultos, tornam-se muito positivos para um crescimento saudável.

Algumas sugestões, como criar momentos off, podem ajudar a colocar limites no uso da tela. Rima recomenda criar “lugares sagrados” na casa, onde os dispositivos móveis não entrem. “Recomendo que considerem a mesa de refeições como um local tech-free. Para não prejudicar o sono, é bom suspender o uso também no quarto das crianças”, orienta.

Como perceber se a criança está utilizando a tecnologia de uma forma prejudicial, em relação a tempo e finalidade de uso? Veja cinco sinais de que isso pode estar acontecendo:

  1.  Quando a criança costuma acessar redes sociais ou jogar antes de dormir. Com essas atitudes ela pode adiar o horário ideal para o sono, que deveria ser perto das 21h30, ou seja, três horas depois que escurece. Quem adia esse momento está mais exposto ao vício e à insônia.
  2.  Quando a criança fica mais tempo em frente às telas do que convivendo com a família e amigos pode ser que ela esteja sacrificando e negligenciando atividades da vida real.
  3. Quando sugestões de terceiros, como blogueiros e youtubers, passam a ser suas principais referências.
  4.  Quando jogos, aparentemente inofensivos, começam a ‘amarrar’ a criança na frente das telas e a virar dependência. Sendo assim, podemos substituí-los por outras atividades que envolvam a família e amigos, por exemplo.
  5. Quando acredita que pode esconder-se atrás de um apelido ou nome falso no espaço público virtual e, ainda, falar tudo o que pensa e magoar o outro, seja ele próximo ou não. Ao expor intimidades, sejam elas próprias ou do outro, sem consequências.

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