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Sua vida não é o feed do Instagram

Como as redes sociais podem expor baixa autoestima ou ser uma fantástica ferramenta de comunicação?

 

Sabe aquela bad que bate depois de passar longos minutos online acessando as redes sociais visualizando as fotos dos amigos, das celebridades e digital influencers? Não é só com você que acontece isso. Essa sensação atinge muitas pessoas e tem uma explicação.  

Rolando o feed do Instagram e do Facebook, a impressão é de que o mundo é perfeito. Isso acontece porque as redes sociais funcionam como vitrines. Cada pessoa mostra sua vida da forma como quer. É a supervalorização do momento presente, dos likes e comentários – saiba mais sobre isso na pesquisa etnográfica realizada durante um ano letivo com os alunos Maristas. Mas, apesar da aparente felicidade que todos compartilham em fotos e textos, essas postagens podem revelar algo muito diferente: problemas de autoestima. É verdade!  

Uma pesquisa realizada com 1.479 jovens, entre 14 e 24 anos, pela instituição de saúde pública do Reino Unido, a Royal Society for Public Helth, apontou que o compartilhamento de fotos pelo Instagram impacta negativamente na autoimagem, no sono, e aumenta o medo dos jovens de ficar por fora dos fatos e tendências, o denominado Fear of Missing Out (FOMO). Ainda, de acordo com a pesquisa, os sites/redes sociais menos nocivos são Youtube e o Twitter.

Conexão marista

O acesso contínuo ao feed funciona como uma droga, afinal quanto mais tempo você passa diante do celular ou do computador, mais tempo você quer ficar. Além do tempo perdido, as horas conectadas também afetam nossa saúde mental.

“Isso acontece porque o ser humano é um animal gregário, ou seja, que precisa estar com o outro e que precisa da atenção do outro. No início do desenvolvimento psicológico, os bebês e crianças são ensinados que o outro só vai nos amar se fizermos o que ele espera, o que não é verdade”, explica a psicóloga Fabíola Peruk.

Fabíola ainda conta que o narcisismo está relacionado a permanecer nesse processo infantil do desenvolvimento durante outras fases da vida, e em geral ocorre em pessoas de extrema baixa autoestima. Ela lembra do caso de uma paciente que olhava de hora em hora se as pessoas estavam curtindo suas fotos nas redes sociais, e ficava chateada se apenas curtiam e não elogiavam.

“Para não demonstrar, a pessoa se mostra para o outro como extremamente forte ou decidida, se protege do mundo assim, e se fecha para não encarar essa situação”, explica a psicóloga.

As redes sociais, por serem um espaço em que qualquer pessoa pode expor qualquer ideia, é um terreno ainda mais perigoso. “Se no dia a dia a cobrança para seguirmos determinados padrões de aparência física é sutil e na mídia televisiva é aflorada, nas redes sociais esses sintomas se intensificam ainda mais”, avalia Fabíola.

Como as crianças e adolescentes são muito mais abertos a receber as informações, novidades e tendências, as mensagens tendem a chegar a eles de forma muito mais “crua” – e por isso as orientações dos pais e professores, são indispensáveis logo que começa o acesso à internet e às redes sociais.

Agora, para os pais, amigos e professores, ao ver uma postagem de alguém próximo que passa uma mensagem diferente, que não seria do comportamento daquela pessoa, a psicóloga ainda indica até mesmo questionar o que ele quis dizer ou obter com determinada postagem, sem que isso caia com um controle.

Aceite-se!  
Nós passamos por várias fases de interesses na vida e melhorar sempre é bom. Mas é preciso ficar atendo a evitar que essas etapas e tendências nos afetem emocionalmente e interfira no que nos faz diferente de todos: nossa personalidade.

Segundo a psicóloga, a maturidade vem quando se aprende que a constante aprovação do outro não é necessária e se começa a lidar com essas demandas de forma construtiva. “Não somos o que colocamos no feed. Aquela postagem é um personagem que cada um monta a respeito de si. Aliás, não somos nem aquilo que o outro vê em nós”, afirma.

E vale lembrar, que a rede social é muito semelhante como os antigos álbuns de família. Apenas os momentos de alegria eram registrados, revelados e mostrados.

Mas nem tudo é negativo na rede social. Não mesmo!


A internet e as redes sociais trouxeram muito mais, além dessas problemáticas. Apesar dessa pressão a respeito da autoimagem, o uso da web, garante a psicóloga, pode ser usado em outros sentidos.  “Ao mesmo tempo que a internet pode potencializar as vulnerabilidades de quem está preso à necessidade de aprovação, os usuários têm desenvolvidos habilidades e qualidades fantásticas, como um tipo de comunicação em rede e vocações plurais”, diz.

Portanto, o acompanhamento das redes sociais dos filhos, assim como o diálogo para que a criança ou adolescente se sinta a vontade para expor suas emoções, positivas ou negativas, devem ser uma constante nas conversas em família.

Aplicativo indica quanto tempo você fica online no smartphone


Estamos tão acostumados em acessar o celular e passar hora online que é importante dosar esse consumo das mídias digitais e até lembrar deixar o smartphone de lado. Quantas vezes você acessou o  aparelho para fazer uma breve pesquisa e se parou visualizando dezenas de postagem na rede social? Fala a verdade, isso bem comum!  

Se depois do que a psicóloga Fabíola Peruk compartilhou conosco, você acha que está precisando de um detox digital, uma dica boa é um aplicativo que analisa quanto tempo você fica online, como o Moment. O app ajuda a ficar offline porque o susto de ver o tempo gasto online pode ser grande e você começa a pensar como esse tempo pode ser aproveitado de outras formas mais legais e produtivas, como para encontrar os amigos, praticar um esporte, estudar um novo idioma e muitas outras atividades que nos deixam mais felizes e agregam.

Ah, e não fique com medo de ficar por fora dos acontecimentos e tendências, viu! Mais tarde ou no outro dia, você dá uma checada e, pronto, você já está atualizado dos últimos fatos.  

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