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Por que a conscientização ambiental na escola é tão importante?

Temos feito um progresso significativo na área de Educação Ambiental, a qual se propõe a desenvolver um plano integrado em favor da biodiversidade em todos os níveis de educação formal e informal, ou seja, dentro e fora da sala de aula. Entretanto, ainda enfrentamos enormes desafios. Mesmo com currículos interdisciplinares direcionados para esta área, o impacto na realidade é muito pequeno.

Para mudar este cenário, precisamos incluir nesta discussão as questões de ética e igualdade, assim como novas formas de pensar e aprender que enfatizem a inter-relação entre sociedade, economia e meio ambiente. Outro desafio é fazer com que educadores consigam ajudar os estudantes a encontrar uma conexão mais pessoal e significativa com um tema que por si só já é complicado.

Como a maioria da população mundial hoje vive em áreas urbanas, onde os efeitos da urbanização têm alterado os ecossistemas, e consequentemente como as pessoas se relacionam com a natureza, especialistas sugerem que a educação deveria dirigir seus esforços para aumentar o contato das crianças e jovens com a natureza. Precisamos fomentar um movimento de aprendizado que deve acontecer também fora da sala de aula, com programas de passeios escolares a locais de educação ambiental preparados para isto, além de criar dentro da própria escola uma comunidade responsável por manter algum tipo de recurso de uso comum, como por exemplo jardins e hortas cuidados pelos próprios alunos.

Outra grande prática que está sendo retomada em vários lugares é a sintropia, um conceito amplamente difundido pelo suíço Ernst Götsch, um pesquisador que pratica a agricultura desde os 3 anos de idade. Depois de observar a natureza e a sucessão ecológica em diversos lugares do mundo, veio parar no Brasil, mais precisamente no norte da Bahia onde há aproximadamente 40 anos comprou uma fazenda completamente degradada pela extração madeireira e pela pecuária. Ernst então começou a colocar sua técnica em prática, e hoje a sua fazenda é um dos lugares mais biodiversos da Mata Atlântica brasileira, fazendo com que 14 nascentes voltassem a verter água, produzindo ainda o melhor Cacau do Brasil lá do  meio da floresta.

Um dos discípulos da Ernst Götsch é David Fernando Olinger Berndt, agrofloresteiro e especialista em Sistemas AgroFlorestais. Davi sempre foi um pai de família consciente e engajado em produzir alimentos para consumo próprio. “Estávamos com dificuldades, pois não dominávamos a técnica. Foi então que surgiram os cursos de agrofloresta na nossa região e ficamos encantados com todas as possibilidades, pois além de produzir hortaliças e ervas, começamos a produzir frutas e até madeira, além de ajudarmos regenerando a terra”, afirma Davi.

A agricultura sintrópica segue alguns princípios como a cobertura orgânica de solo (palha, folhas, capim, etc), que protege e alimenta a terra e seus microrganismos, mantendo sua umidade e regulando sua temperatura. Princípios estes que maximizam o consórcio de espécies, por exemplo. “Toda essa cooperação beneficia o sistema como um todo, flora e fauna, abastece os lençóis freáticos, retira gás carbono do ar e vai tornando a terra cada vez mais viva, rica e fértil”, complementa Davi.

A ONU recentemente reconheceu a agroecologia como uma das melhores formas de estabelecermos uma relação mais equilibrada com nossos recursos naturais. Para Davi, pai de dois meninos em idade escolar, é imprescindível que as crianças estejam sempre em contato com a natureza através do cultivo dos alimentos, para entender que tudo precisa de um certo tempo para acontecer, que os alimentos não vêm do supermercado e que existe um prazer, um sabor e uma grande realização em poder colher um alimento que ela mesma plantou. A agrofloresta ainda pode ser utilizada para a prática de matemática, ciência, física, química, respeito, cooperação e gratidão.

 Fonte: Convention on Biological Diversity

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