Palavra do Especialista

Será que eu sou cringe?

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Geração Z fez uma lista de hábitos e gostos dos mais velhos que a fazem se contorcer de vergonha alheia

A expressão “cringe” viralizou após um tuíte da publicitária e podcaster Carol Rocha. Na publicação, ela pedia que a geração Z listasse hábitos dos millenials que eles consideram cringe. Desde então, as buscas pelo termo subiram e hoje é um dos mais buscados no Google pelos internautas brasileiros.

Mas não é de hoje que os mais jovens o utilizam para categorizar conteúdos da internet, comportamentos e gostos alheios. Os nascidos depois do ano de 1995 são mais de 40% dos usuários do TikTok, a rede social em que a palavra cringe se popularizou e até ganhou novos significados e aplicações.

Afinal, o que é cringe?

A professora de inglês do colégio Marista Anjo da Guarda, Gabriela Tadano, explica: “Cringe é um verbo que significa você se afastar de algo porque você tem medo. Mas, informalmente, ele começou a ser usado também como uma coisa que te faz sentir vergonha alheia”.

Para a coordenadora de Internacionalização do Colégio Marista Anjo da Guarda, Tatiana Salomão, a brincadeira é válida, pois o conflito entre gerações é algo natural e saudável, mas deve prevalecer o equilíbrio e o respeito. 

“Não é possível se encaixar em todas as tendências, modas e novidades. Classificações à parte, é importante fazer o que faz bem para você e sempre respeitar o outro, seja tomando café ou não”, relata.

Cringe sim, gramaticalmente correto também

O uso informal na internet afora mudou até mesmo a classe gramatical da palavra. Do jeito que é aplicado pelos jovens, o verbo virou adjetivo. “Gramaticalmente, está errado. O adjetivo existe, é cringey. O certo seria, então, dizer ‘ah, aquele vídeo é cringey’”, pontua a professora.

O uso correto do verbo também existe no TikTok. São comuns conteúdos de pessoas caindo ou dançando acompanhados de legendas como “Try not to cringe” ou “I’m cringing so hard right now”. Algo como “tente não morrer de vergonha disso” ou “isso é constrangedor demais”.

Mas, como é comum com as gírias e memes, é compreensível que o seu uso aqui no Brasil tenha sido adaptado, com os falantes capturando o seu significado geral referindo-se a diversas coisas diretamente como cringe.

Será que eu sou cringe?

A geração Z fez uma listinha de hábitos e gostos dos mais velhos que a fazem se contorcer de vergonha alheia. Dividir o cabelo de lado; adorar Harry Potter ou filmes da Disney; usar calça skinny ou sapatilha de bico redondo; referir-se às contas como boletos ou chamar cerveja de litrão e até gostar de tomar café da manhã são considerados comportamentos cafonas demais. 

Gabriela, que tem 35 anos e está em contato diário com adolescentes, afirma que não há muita escapatória. “Agora, tudo para eles é cringe. Mas é tranquilo, eu nunca me sentiria ofendida. A minha geração é muito diferente da dos meus alunos mais novos. No ano passado eu fiz um TikTok, então sei do que eles estão falando, conheço as músicas e as dancinhas e é um jeito de me conectar mais com eles. Talvez eu seja menos cringe por causa disso”, ri.

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