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Como falar sobre morte com as crianças

É importante proporcionar espaço para expressão de sentimentos

Falar sobre morte com crianças não é mesmo nada fácil. Por mais que os pais desejem proteger os filhos do sofrimento, mais cedo ou mais tarde será preciso lidar com os sentimentos decorrentes de uma perda. Independentemente se a morte é de um animalzinho de estimação ou de um ente querido, é importante que os pais e responsáveis estejam atentos aos comportamentos da criança para saber como ajudar da forma mais adequada.

A psicóloga Fernanda Lopes diz que a forma como a criança irá reagir depende da sua faixa etária e também de suas experiências de perdas anteriores. “Elas podem demonstrar seu sofrimento em curtos períodos de tempo ou de forma pontual e esporádica. Por exemplo, relembrando o ente querido, chorando, estando triste, dizendo estar com saudades, ou pedindo para visitá-lo”, explica.

Crianças muito pequenas, de até 3 anos, não apresentam uma compreensão elaborada do significado da morte e podem reagir diante da tensão da família ao seu redor, demandando maior atenção. Já na faixa dos 5 anos, podem ter uma maior noção sobre a perda, mas mesmo assim compreendê-la como algo reversível, podendo vir a acreditar que em algum momento a pessoa voltará.  Uma maior compreensão sobre o conceito de vida e morte acontece a partir dos 6 anos de idade, quando há a possibilidade de aparecer o medo da morte ou de perder as pessoas de sua vida, juntamente com uma maior curiosidade sobre como ela ocorre ou por que as pessoas passam por isso.

Os pais ou responsáveis devem proporcionar às crianças espaço para expressar seu sofrimento e não pressioná-las para agir de uma maneira específica diante da perda. “Ocultar o assunto pode gerar confusão e conflitos para a criança”, esclarece Fernanda, que aconselha os pais a falar de forma clara, explicando que aquela pessoa não está mais neste mundo e que ela não retornará, mas que as lembranças e os momentos passados juntos permanecem.

Os adultos também podem mostrar que eles também sofrem, choram e sentem saudades. “Esse compartilhamento pode ajudar as crianças a elaborarem seu próprio processo de luto”, acredita a psicóloga. Assim, percebem que a tristeza e a saudade fazem parte de nosso espectro de emoções, além de fazer com que as crianças se sintam acolhidas e apoiadas em seus sentimentos. Livros e filmes que abordem a temática também podem contribuir para abordar o assunto por meio de uma linguagem lúdica.

Como ajudar as crianças diante de uma perda

Atenção aos sinais

Os pais precisam estar atentos a alguns comportamentos. Eles podem ocorrer após uma perda, porém, caso permaneçam por um período de tempo maior do que o esperado ou estejam causando consequências em outras esferas da vida da criança é indicado buscar a ajuda de um profissional. Algumas reações que a criança pode apresentar são presença de pesadelos ou terror noturno, diminuição do rendimento escolar, dificuldades de adormecer, atitudes de raiva sem motivo aparente, enurese noturna (o “xixi na cama”) e expressão do desejo de ir com a pessoa que faleceu.

O auxílio de um profissional da Psicologia pode ajudar a criança a elaborar a perda de uma forma mais saudável. Esse auxílio também se mostra necessário quando a criança apresentar alguns dos seguintes comportamentos em grande parte do tempo: estado de “apatia” (não demonstra nenhum tipo de emoção), estado de “negação” da morte ou dificuldades de interação social que não eram apresentadas antes.

Os pais ou responsáveis também podem buscar o auxílio de um profissional quando tiverem dificuldades para elaborar suas próprias relações com a perda de um ente querido ou quando enxergam dificuldades em abordar o tema com os filhos”, lembra a psicóloga. “Compartilhando suas experiências, cada um à sua maneira, adultos e crianças podem compreender melhor seus sentimentos e elaborar as perdas de uma forma saudável, sentindo-se apoiados e acolhidos uns pelos outros”, lembra a psicóloga.

 

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